Orquestra da UFMT realiza concerto com solista e regente convidados

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Começa nesta sexta-feira (19) a distribuição de convites para a apresentação da Orquestra Sinfônica da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). O espetáculo será realizado no domingo (21), a partir das 20h, no Teatro Universitário.

Os ingressos estão disponíveis nas bilheterias entre 8h e 11h30 das 14h às 17h. Ainda no sábado (20), a Orquestra realiza, a partir das 9h, ensaio aberto. Para este evento, que também ocorre no Teatro, não é necessária a retirada de convites.

A penúltima apresentação da Orquestra dentro da Agenda Cuiabá Tricentenária reúne, sob um repertório com músicas de Johann Strauss, Gioachinno Rossini, Antonin Dvorak e Bedrich Smetana, uma situação bem peculiar. A regência será feita pelo maestro Murilo Alves, com uma longa história dentro da UFMT. Já o solista convidado é o clarinetista Eduardo Lima, servidor aprovado em concurso público e empossado em maio deste ano.

Graduado em Educação Artística/Música, bacharelando em Regência orquestral e Mestre em Estudos de Cultura Contemporânea pela UFMT, Murilo Alves conta que teve na Universidade o desenvolvimento dos aspectos mais importantes de sua formação. “Isso se deu por meio de um curso de graduação antenado com as demandas da comunidade, especialmente voltado para a formação do professor de música”, aponta.

“Por outro lado, no tocante às questões artísticas, ali também tive o apoio e a direção de excelentes professores que possibilitaram a ampliação de minha visão e consequente desenvolvimento intelectual, artístico e humano. A Orquestra da UFMT foi a primeira que tive a possibilidade de ver e ouvir ao vivo, onde tive minhas primeiras experiências numa Sinfônica e também a Orquestra onde tocou meu querido irmão Osmar Alves, um jovem e promissor músico mato-grossense que nos deixou no ano de 2007. Tudo isso torna este momento muito especial e repleto de significados”, acrescenta.

Já Eduardo Lima é natural de João Pessoa (PB), bacharel em Música e mestrando pela Universidade Federal de Paraíba (UFPB). “O grande diferencial da Orquestra está em trazer ao público mato-grossense todas as vertentes da música de concerto, desde as tradicionais sinfonias clássicas até o repertório de música de câmara nas suas diversas formações, mas sem deixar de lado a música regional e a estreia de novas obras brasileiras”, conta ele, nestes quase seis meses de efetivo exercício.

“Isso é bastante significativo pois reafirma o papel da Universidade de preservar, produzir e difundir conhecimento, além colocar Cuiabá no patamar das grandes metrópoles do mundo, onde há um cenário musical bastante ativo e variado. O grande escritor Erico Veríssimo costumava afirmar com orgulho que morava “numa cidade que tem Orquestra Sinfônica”, já que, para ele, isso demostrava o nível de desenvolvimento humano, social e cultural da cidade. O povo cuiabano pode falar com orgulho que ‘moramos numa cidade que tem Orquestra Sinfônica’, completa.

Para o ensaio de sábado e apresentação de domingo, o maestro Murilo Alves explica que buscou um programa que pudesse ser interessante para os músicos da orquestra e que pudesse dialogar com o público. “Teremos obras que, por vários aspectos, são de fácil e imediata conexão com o público, como a abertura da opereta ‘O Morcego’ e a ‘Dança Eslava N. 2’ e também obras mais desafiadoras para orquestra como o poema sinfônico ‘O Moldava’, também uma obra de beleza singular”, afirma.

“As quatro obras que formam o programa desse concerto apresentam características bastante distintas e levará o público a uma viagem pela Europa do século XIX. Teremos duas obras representando a tradição das óperas alemãs e italianas, com a abertura da ópera “O Morcego” e a “Introdução, Tema e Variações para clarinete e orquestra”, que escreveu essa peça com base em temas de algumas das suas óperas. As outras duas representam o nacionalismo europeu, que estava aflorando nessa época e tinha como objetivo enaltecer a grandeza da pátria, principalmente da sua cultura popular. E é justamente nessa perspectiva que Dvorak e Smetana escreveram as “Danças Eslavas” e “O Moldava”, respectivamente, para enaltecer a cultura e belezas da região da Boêmia (atual República Tcheca)”, complementa Eduardo Lima.

O clarinetista também observa outro diferencial da apresentação, que o uso do clarinete como instrumento solo. Segundo Eduardo Lima é bem comum que esse papel seja desempenhado mais frequentemente pelo piano, violino ou cello, mas que Mas hoje há diversos outros instrumentos com rico repertório e ganhado cada vez mais destaque na função de solista. “O clarinete é um dos instrumentos que tem tido mais sucesso nesse novo contexto. A obra que será tocada por mim é bem representativa, já que Rossini adaptou alguns temas de suas óperas para o clarinete, fazendo com que o clarinetista tenha que atuar como um cantor lírico, o que demanda muito controle técnico e musicalidade do solista”, analisa.

O maestro Murilo Alves, que também rege a Orquestra Sinfônica CirandaMundo, destaca a importância da realização dos ensaios abertos, que possibilita a aproximação com a música clássica. E cita um exemplo: o próprio. “Como disse, minha primeira experiência com uma Orquestra Sinfônica foi em um concerto da Sinfônica da UFMT, com o então jovem maestro Fabricio Carvalho dirigindo, ainda na década de 1990. Eu já estudava música, mas por aquela ocasião decidi levar isso adiante e cá estamos nós”, expõe. “Por outro lado, estou há muitos anos a frente do Instituto Ciranda trabalhando justamente na formação musical de crianças, adolescentes e jovens e nesse contexto tenho cada vez mais a crença na música como um poderoso instrumento de transformação social, de modo que compreendo, acredito e parabenizo a todos da Orquestra Sinfônica da UFMT por esta louvável iniciativa. Será um prazer apresentar também este programa”, finaliza.

O concerto, penúltimo da temporada, promovida pela Pró-Reitoria de Cultura, Extensão e Vivência (Procev), faz parte da Série “Gabriel Novis Neves” com foco na música erudita sinfônica e, neste mês, faz menção ao Outubro Rosa, campanha da qual a Orquestra Sinfônica da UFMT participa há oito anos.