Espetáculo multimídia que expõe parto começa a circular em MT

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Foto: Rai Reis

“O poderio feminino não se resume à capacidade de gerar outro ser, mas de gerar o que bem desejar”. Este é o conceito que norteia a atriz, bonequeira e diretora de teatro cuiabana, Raquel Mützenberg, na construção de Re-parir-se Maiêutica. O espetáculo começa a circular o Estado com oficinas e apresentações gratuitas neste domingo (07).

A primeira será em Rondonópolis, às 19h, no espaço Casario. Segunda-feira (8), no mesmo local, ocorre a oficina “Corpo digital, corpo analógico”, às 8 horas, com participação mediante inscrição.

Em cena, o boneco animado se confunde com o próprio corpo da artista, expondo o parto em uma caixa de plástico bolha que a plateia poderá visualizar a partir de várias perspectivas simultâneas – diretamente, em edições de vídeos ou por buracos feitos na caixa. Com direção de Luiz Marchetti, o espetáculo explora poesia, trilha sonora ao vivo e recursos audiovisuais.

Composto de seis cenas, a perfomance é uma defesa da emancipação e autonomia feminina por meio do autoconhecimento e do sagrado feminino. Dando à luz diversos temas como o aborto, os partos humanizados e cesárea, Raquel encena uma mulher que não quer ter filho, mas que se reiventa no ato. “Fisicamente, parindo a si mesma. Um corpo que se desdobra em outro, de faces que desdobram em outras faces”, explica.

O projeto é fruto de depoimentos, textos filosóficos, registros audiovisuais e pesquisas sobre o teatro de formas animadas e teve início como dissertação de mestrado o Programa de Pós-Graduação em Estudos de Cultura Contemporânea (ECCO) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

“Coletei reportagens jornalísticas sobre a realidade vivida pelas parturientes do sistema público de saúde no Brasil, vivências de doulas, vídeos científicos sobre reprodução humana e fotos de parto humanizado. Somei a estas fontes, as discussões acadêmicas sobre a subjetividade coletiva e a experimentação cênica em teatro de animação”, conta.

Mützenberg ainda explica que “Maiêutica” é um conceito do filósofo Sócrates. “Influenciado pela vida de sua mãe, que era parteira, Sócrates desenvolve o parto das ideias. A Maiêutica socrática é traduzida ao teatro de formas animadas com uma técnica na qual o corpo da atriz compõe a estrutura física do objeto que ganha a animação”.

O espetáculo é resultado de pesquisas e registros

Através do próprio corpo da artista, o trabalho já tomou ruas e espaços alternativos do país – pelo projeto Palco Giratório do Sesc e iniciativas próprias – e ficou conhecido internacionalmente em Santiago, no Chile e ainda no Minho, em Portugal. Agora, Re-parir-se Maiêutica é apresentada aos mato-grossenses através do edital Circula MT da Secretaria de Estado de Cultura (SEC).

Nas próximas semanas, o espetáculo chega a Chapada dos Guimarães, Poconé, Primavera do Leste e Barra do Bugres. Em todas as cidades por onde circulará, Raquel também oficinas que apresentarão técnicas do teatro de formas animadas em diálogo com ferramentas do audiovisual, em parceria com a cineasta Juliana Segóvia.

Somam ao projeto Willian Kanashiro na música e audiovisual, Carol Andrade na produção, Douglas Peron na cenografia, Alessandra Mandú Nord, Tuanny Godoy e Carol Turin com assessoria sobre parto humanizado, Millena Machado e Madiano Marchetti com imagens de audiovisual, Rai Reis com fotos, Roseli Carnaiba com design gráfico.

Com Assessoria